alguém decide o que o aplicativo vai fazer amanhã. esse é o trabalho
Não é um cargo de chefia, não é programar e não é design. É a pessoa que decide o que vale construir a seguir — e responde pelo resultado dessa escolha.
duas coisas com o mesmo nome
Produto é a coisa em si. O Spotify é um produto. O aplicativo do seu banco é um produto. O iFood é um produto. Qualquer coisa que uma empresa constrói, coloca no mundo e melhora com o tempo — não é um projeto que acaba, é algo que continua vivo depois de pronto.
Área de produto é o time que decide o que essa coisa vai fazer. Nesse time existe uma função chamada product manager — gerente de produto —, e é dela que todo mundo fala sem explicar. Não confunda as duas: você pode trabalhar num produto sem fazer parte da área de produto.
Neste site, quando eu escrever só produto, é da área que estou falando. Quando for a coisa, eu digo “o produto”.
se você respondeu essas três, você fez produto
pra quem, e qual é o problema dela
Não “os usuários”. Uma pessoa concreta, num momento concreto, travada em algo. Descobrir isso é conversar, olhar e perguntar — e quase sempre revela que o problema não era o que a empresa achava.
o que construir, entre dez ideias boas
A parte difícil não é ter ideia — é escolher uma e recusar nove, cada uma com alguém torcendo por ela. Escolher em produto é sempre escolher o que não fazer, e explicar isso de pé.
como a gente vai saber se funcionou
Antes de construir, você diz o que espera que mude e em quanto tempo. Depois olha se mudou. Sem isso, ninguém aprende nada — só entrega coisa e torce.
Você já fez isso, sem chamar assim. Organizou uma festa e decidiu o que cortar quando o dinheiro não deu, escolheu o que entra num trabalho em grupo. É o mesmo músculo, com mais gente olhando.
uma terça-feira de verdade
Ninguém conta essa parte, e é a que responde se você vai gostar. Repare quanto do dia é escrever, ouvir e explicar.
Uma linha de código, um layout desenhado por ela e uma única ordem dada a alguém. Nada disso é o trabalho — e é justamente o que as pessoas imaginam quando ouvem a palavra “gerente”.
três coisas que te contaram errado
Ninguém se reporta a ela. Designers e engenheiros têm outros gestores, e ela não decide salário, férias nem contratação de nenhum deles. A única autoridade que ela tem é o argumento — se a explicação for ruim, o time simplesmente não vai junto.
Precisa entender o suficiente pra conversar: por que uma coisa leva um dia e outra leva um mês, o que é banco de dados, o que é uma integração. Isso se aprende convivendo com engenheiros, e leva meses — não anos. Escrever código não faz parte do trabalho.
Decide junto — com design, com engenharia, com quem vende e com quem atende. O que é só dela é a responsabilidade: quando a escolha dá errado, é ela que explica o que aprendeu. Autoria compartilhada, conta no nome dela.
produto é decidir o que não vai ser feito — e responder por isso depois
Todo o resto — as reuniões, os números, as palavras em inglês — existe para essa decisão ficar menos no escuro. Quem gosta de decidir com informação incompleta e conviver com o resultado tende a gostar daqui.
Backlog, discovery, churn, MVP. Vinte e seis delas explicadas em uma frase cada, no glossário.
Nenhum se chama produto. As quatro rotas que levam pra lá estão em rotas de entrada.
Nove perguntas, nenhuma resposta certa, sem cadastro: se encaixa em mim?